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Relato de Parto Prematuro: Luana Oliveira Bandouk

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Nem sempre tudo sai conforme o planejado!
As vezes alguns bebês resolvem nascer mais cedo, e foi isso que aconteceu com a Liz, essa princesa linda que tão pequenininha já é uma vencedora!

“Foi uma gravidez desejada, esperada e planejada. Nos casamos no dia 17/11/2012 e já nos exames pré- nupciais as noticias não eram das melhores: para ele, poucos espermatozoides e para mim, ovários policísticos e útero pouco invertido. Fomos orientados de que se a gravidez não acontecesse em 6 meses, iriamos ter que iniciar um tratamento pra dar uma mãozinha a natureza. Mas Deus tinha outro plano para nós. Voltemos grávidos da lua-de-mel.
Procurei meu ginecologista que já me acompanhava há anos para dar inicio ao pré natal. Na primeira consulta, ele me orientou muito sobre a alimentação, já que eu sou gastroplastizada há 9 anos, e prescreveu alguns polivitamínicos.
Com 13 semanas de gestação, fui realizar o primeiro exame de ultrassonografia morfológica. Devido as minhas cirurgias anteriores, tivemos dificuldade em avaliar o bebe e o exame foi bem demorado. Saí de lá com uma leve dor, mas não desconfiei de nada pois tinha apertado muito para realizar o exame. Já em casa, na madrugada a dor aumentou muito, e corremos para o pronto socorro. A dor era tanta que nem consegui me vestir, meu esposo que teve que trocar a minha roupa. Chegando ao hospital as 07 da manha, fiz um ultrason e estava tudo bem com o bebe, fui medicada e liberada. Chegando em casa, fiquei por 2 horas sem dor. As 13 horas do mesmo dia a dor voltou, chorei e rolei no chão de tanta dor que eu sentia, era um misto de dor e apreensão. Voltamos para o hospital, chegando lá fui novamente medicada, e fizeram um novo ultrason que visualizaram uma pequena pedra em meu rim direito. Lembro como se fosse hoje das palavras do medico hostilizando minha dor:
É um cálculo muito pequeno que não justifica tamanha dor que você relata “mãezinha”!
Fui medicada novamente e a dor não passava, entraram em contato com o meu obstetra e ele pediu que me internassem que ele iria me avaliar. Me internaram na UIT para controle de dor. Fiquei 3 dias internada só tomando medicações fortes para dor. No terceiro dia, meu médico disse que iria me liberar para casa, pois se era só para tomar medicação, eu poderia ficar em casa pois assim correria menos risco de pegar uma infecção. Orientou ainda que após a alta se eu voltasse a sentir dor, não era pra eu ir para aquele hospital.
Após 2 dias em casa sem dor, eis que a bendita voltou. Foi a pior dor que eu senti em toda a minha vida, Fomos para o hospital que me obstetra tinha sugerido. Chegando lá, fui imediatamente atendida, fizeram contato com meu médico, e em questão de 1 hora, já tinha uma cirurgia agendada para o dia seguinte as 07 da manha. Tomei tanta medicação para dor, que tive até uma reação alérgica grave.
Fui operada, retiraram um calculo do meu rim que media o dobro do que o outro medico havia visto. Depois da tantos exames de ultrason que fiz, fomos informados que teríamos uma menina. A Liz ficou bem durante e após a cirurgia e eu sem dor, como era bom não sentir dor!.
Depois disso tudo, achei que a gravidez já tinha passado pelo pior. Ledo engano. No 2º ultrason que meu obstetra fez no consultório ele me disse que o bebe estava com peso baixo e que a quantidade de liquido amniótico da bolsa estava no limite. Foi assim até a 30ª semana de gestação, quando ele passou a marcar nossas consultas semanalmente, fazia ultrason toda semana também para acompanhar a quantidade de liquido na bolsa, e a cada ultrason estava mais baixa.
Com 32 semanas, estava muito baixa e ele me orientou a ir para o hospital para fazer um ultrason com doppler para avaliar se estava chegando sangue para o bebe, além do liquido estar bem baixo, a Liz estava bem pequena.
No outro dia pela manha, fui para o hospital para fazer o ultrason e antes fizeram um exame de cardiotocografia, que avalia os batimentos cardíacos do bebê. Esse exame não estava tão bom, mas mesmo assim fomos para o ultrason. No ultrason, o liquido estava tão baixo que a medica ultrassonografista pediu o celular do meu medico na hora e no contato com ele, ele pediu que me internassem e que iria me avaliar. Chorei muito, estava acompanhada pela minha mãe que a todo momento tentava me acalmar. Estava completando 33 semanas de gestação naquele dia. No exame a Liz estava com peso estimado de 1550kg, muito baixo para a idade gestacional. Meu obstetra veio de Osasco para São Paulo para me avaliar e disse que iria ter que fazer uma cesárea pois a Liz estava correndo risco, e que fora da barriga ela iria ganhar peso mais facilmente. Disse ainda que certamente ela iria precisar de UTI neonatal. Entrei na sala para cesárea as 14 horas do dia 13/07/2013. Estava tranquilo apesar da situação pois confiava muito no meu obstetra. As 14:25 ela chegou, chorando, foi uma emoção indescritível, mas o que emocionou mais, não foi o choro dela, foi quando o obstetra disse:
Os ultrasons estavam errados, ela tem mais de 2 Kg com certeza.
Ao coloca-la na balança, descobrimos que ele estava certo, ela pesou 2,040kg e media 44,5cm. Nasceu bem cianótica, colocaram ele sobre mim para tirarmos umas fotos e logo o neonatologista já levou-a, mas não sem antes eu perguntar se iria precisar entuba-la e ele rapidamente disse que não, que só iria precisar de um pequeno suporte na ventilação. Fiquei tão, tão, tão feliz. Nessas horas acredito que é melhor ser leiga no assunto. Ah esqueci de dizer no início mas sou enfermeira de formação há mais de 10 anos, especializada em UTI. Conheço cada detalhe e cada risco de uma entubação, e se é difícil estar na situação de paciente, imagina de mãe de paciente.
Muito feliz e realizada, fiquei na recuperação anestésica e logo subi para o quarto. A UTI deste hospital é humanizada, ou seja, a mão pode ficar o tempo todo ao lao do bebe e eu não via a hora da anestesia passar, para ir lá ver minha pequena gigante.
Após a anestesia passar totalmente, tomei um banho, me alimentei e fui ver minha pequena. Desci com meu marido e ali começava nossa maior preocupação.
Ser mãe de prematuro não é nada facil, ver minha filha ali, só de fraldinhas, ligada a diversos aparelhos apitando, e não poder pegá-la no colo doía muito. É estranho explicar mas era uma dor tão fisica, tão real. É uma sensação de impotencia, para mim que cuidou de tanta gente, ver minha pequena ali, sozinha. Ficamos com ela um pouco e tivemos que subir.
No outro dia, recebemos visita de diversos familiares, e eu ficava com muito vergonha, pois todo muindo que vai na maternidade fazer uma visita, vai para conhecer o bebe, e eu não tinha bebe nenhum para apresentar, as avós, tios, todos queriam ver o bebe, que não estava no quarto comigo.
Naquele dia começava minha rotina de mãe de prematuro. Acordava, tomava banho, café da manha e descia pra olhar a pequena. Como ele estava de sonda, não mamava no peito, eu tinha que ir ao banco de leite fazer a ordenha para estimular a produção de leite materno e para darem para ela pela sonda. Esse processo de ordenha demorava em média 50 minutos.
Logo a rotina dos meus 3 dias de internação era assim:
Acordava, tomava banho e café, ia na UTI falar bom dia pra ela, depois ia ao banco de leite fazer a 1ª ordenha do dia, depois voltava pra UTI para a visita médica que era quando o medico dava as noticias sobre a evolução dela. Depois subia para o quarto para tomar as minhas medicações e descia novamente para a 2ª ordenha, voltava pra UTI, ficava mais um pouco com ela e ia almoçar. Após o almoço ia para a 3ª ordenha do dia, depois ficava mais um pouco com ela e ia tomar uma café da tarde com o papai. Voltava pra ficar mais um pouquinho com ela e ia para a 4ª e ultima ordenha do dia. Depois ficava mais um pouco com ela e subia pra jantar. Descia pra ficar mais um pouco com ela e dar boa noite. Subia para dormir.
Essa rotina durou até o dia da minha alta. E eu não imaginava que este seria o dia mais difícil. Dia 15/07/2013 as 12:00 recebi alta. Ficamos no hospital até a noite para eu cumprir minha rotina de ordenha. As 21:00 fomos pra casa. Fui o caminho todo pensando nela, eu estava forte, não tinha chorado ainda, até a hora que minha mãe me ligou. Desabei. Chorei litros no carro, quando cheguei no prédio, sentei no chão, na porta do meu apartamento, no escuro, sozinha, enquanto meu marido trazia as nossas malas, e chorei, muito. Voltar para casa sem minha barriga e sem minha bebê foi uma dor insuportável.
No outro dia as 07:00 já estava na porta do hospital, e assim foi até a tão desejada alta dela, foram os piores dias das nossas vidas. Sempre dizem que quando temos um bebe temos que fazer a tal dieta, que repousar, mas pra mãe prematura, isso não existe. Se pararmos para analisar, a mãe de um prematuro é uma mãe prematura, que não teve todo o tempo da gestação para se preparar para ser mãe. É difícil entender que nascer antes do tempo não é culpa da mãe, nem do bebê e nem de ninguém. Choramos por qualquer coisa, as horas se arrastam, os dias não passam e os ponteiros da balança não aumentam, mas o pior é quando caem.
Graças a Deus, a Liz não tinha problema nenhum além do baixo peso. O peso minimo para deixar a UTI era 2 Kg, ela nasceu com 2040KG e nos três primeiros dias perdeu peso e pesou 1720Kg. Cada grama que ela ganhava era uma vitória nossa. Eu olhava aquele pequeno ser, tão frágil, tão pequena e indefesa, precisando dos meus cuidados e nem seque podia pega-la no colo. Queria leva-la pra casa, era só no que pensava. Me me agarrava nisso para ter força para continuar.
Dia 28/07/13, era o dia mais frio do ano, no dia anterior a Liz havia alcançado os 2 Kg, farias alguns exames e se tudo estivesse bem, receberia alta. As 10 da manha, na visita médica e médica perguntou o que eu queria. Disse com todas as letras que queria levar minha pequena para casa, e a médica ainda me perguntou se eu queria mesmo levar pois estávamos em meio a uma frente fria, e que a Liz não poderia ter nenhum resfriado, pois poderia perder peso e ter que voltar para a UTI. Eu não aguentava esperar mais, queria levar minha pequena para casa. E foi o que aconteceu. Saímos com a Liz do hospital 16 dias após o nascimento. Finalmente pude pegar minha pequena no colo para levar para casa, o pesadelo havia acabado, mesmo com muitas orientações para o cuidado com o prematuro, acho que nos saímos muito bem. Hoje, 16/06/14 minha princesa está com 11 meses e 3 dias, quase 11 Kg de muita saúde, e o melhor, sem nenhuma sequela, continuo amamentando enquanto ela quiser e vamos comemorar em família seu primeiro ano de vida.”

Luana, mãe da Liz!

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Sobre o Autor

Geisa Simonini

Uma escorpiana geniosa, brava e determinada. Estudei Administração e Marketing e sempre atuei na área comercial e de eventos. Tenho uma cabecinha cheia de idéias e adoro trabalhar com pessoas, afinal para mim, tudo que a vazio de pessoas não faz muito sentido. Sou doidinha por redes sociais e ligada 24 horas por dia, sabe aquela pessoa que não pára? Essa sou eu!
Mas se for para me resumir mesmo: Sou a mãe da Fernanda (e da Camille que ainda está no forninho) e da função de mãe nasceu esse blog onde compartilho com vocês nossas histórias, dia-a-dia e aprendizados

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