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Relato de Parto: Césarea Necessária! (Aline e Analu)

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cesárea necessaria

Hoje começamos com uma nova série aqui no blog: Relatos de Parto!
Quem vai começar é a Aline, mãe da Ana Luiza que lutou por um parto normal mas a Analu acabou nascendo de uma cesariana necessária

Vem conhecer a história da Aline e da Analu e se emocionar com a gente!


Minha história começa em fevereiro, quando me casei com meu marido querido,e depois disso minha vida se transformou totalmente.

Em março meu marido foi transferido do emprego, nos mudamos de São Paulo para outra cidade, Recife, longe de tudo e de todos.
Não conhecíamos nada e nem ninguém praticamente, então era tudo novidade.
Começamos a montar nosso apartamento, meu marido já estava com sua rotina normal trabalhando muito e em abril quando tudo já estava mais ou menos organizado resolvi que sairia para procurar um emprego.
Pois bem, nesse período comecei a me sentir estranha, dores que nunca havia sentido no corpo, muito sono, cochilava a tarde coisa que eu nunca fiz. Achei estranho, mas fiquei na minha.
Foi então que me dei conta que estava com a menstruação atrasada.Esperei alguns dias e nada, e essas dores esquisitas me acompanhando diariamente.
Conversei com meu marido e resolvemos comprar um teste de farmácia para ver se estava grávida.
Confesso que quando peguei o exame na mão para fazer o teste senti um frio na barriga muito grande, um medo, afinal estávamos começando nossa vida a dois em uma cidade nova e sem ninguém da família por perto.
Fiz o exame. Nem precisei esperar o tempo exigido e logo apareceram os dois tracinhos indicando que estava grávida. 
Sai do banheiro, apenas mostrei sem falar nada para meu marido , nos abraçamos e começamos a chorar de alegria, afinal ali iniciava nossa família, mas para termos certeza mesmo fomos ao laboratório no dia seguinte e fizemos o teste de sangue, que também deu positivo e então estava mais do que confirmada a gravidez. Contamos a novidade para família e amigos e assim se iniciou o período mais delicioso da minha vida, gerar uma vida dentro de mim.

Como não conhecíamos nada, começou minha luta para encontrar um G.O., foi quando marquei com muito custo,quase um mês depois com uma médica que escolhi ao acaso no guia do convenio.
Dra Maria Betania me atendeu super bem, pediu exames e pediu para que eu retornasse.
Quando voltei para levar os exames de sangue e afins que ela pediu disse que não poderia acompanhar a minha gestação pois infelizmente estava apenas trabalhando como ginecologista e que obstetrícia tinha parado.
Foi quando ela me deu indicações de G.O.s humanizados , e me deu o contato de Dr Renato Grandi Ramalho.
Confesso que sai da consulta dela um pouco chateada pois havia simpatizado com ela, mas no mesmo dia liguei e marquei com Dr Renato.
Ele estava com sua agenda lotada então quase um mês depois consegui a tal consulta.
Começamos a conversar e sua primeira pergunta foi ” Quero saber o que pensa sobre parto. O que prefere? “
E eu como sempre pensei no parto como uma coisa natural respondi que pensava no parto normal.
Foi quando ele com um sorriso começou a falar que era a favor do parto humanizado, começou a falar com uma alegria como era bonito o parir, que era um processo fisiológico da mulher, que toda mulher foi feita para isso, etc…
Ali eu vi que tinha finalmente encontrado o G.O. que tanto pedi para Deus!
Naquele mesmo dia ele passou diversos exames e um ultrassom, que realizei com 20 semanas e que a médica que realizou o procedimento me disse com toda certeza do mundo que era uma menina.
Pronto, meu mundo dali para frente era mais colorido, sempre me vi com uma menininha e meu marido também, tanto que logo que confirmamos a gravidez meu marido já disse que se fosse menina já sabia o nome , Ana Luiza, e que se fosse menino eu poderia escolher rs.
Pois é, estávamos esperando nossa Analu.
Cada consulta com Dr Renato eu tinha mais e mais certeza que Analu chegaria de forma humana, com respeito.
Tudo estava correndo bem e estávamos até cogitando um parto domiciliar, porém ficamos um pouco receosos e optamos por um parto humanizado hospitalar na água.
Fomos conhecer a Maternidade Santa Lucia que era onde o Dr Renato tinha sua equipe, uma maternidade simples mas que tinha o principal, respeito com a mulher.

Passaram os meses, e com 34 semanas Analu ja estava encaixadinha , então dali para frente via Dr Renato quase que semanalmente.
Com 36 para 37 semanas tive dores fortes embaixo da barriga, estava com infecção de urina, fui medicada e logo os sintomas passaram.
Já estava imensa, muito inchada e nada de Analu dar sinais de que queria nascer.

Com cerca de 38 semanas comecei a sentir coliquinhas chatas, e quase que todos os dias falava com Dr Renato para contar o que estava sentindo.
No Domingo antes do Natal, senti fortes dores e comecei a perceber que estavam ficando ritmadas , liguei para o doutor e ele me disse para tomar banhos quentes e caso não melhorasse ligar para ele novamente, e me disse também que era o começo do trabalho de parto e que poderia passar dias assim, para que eu não me desesperasse.

Pois bem, fui a consulta de pré natal no dia 24 de dezembro e Dr Renato dizia que a bebe estava bem firme, encaixadinha que era só esperar ela querer sair que estava tudo certo. Ele achava que a bebe provavelmente nasceria naquela semana, mas deixou marcado para eu retornar no dia 31/12.
Véspera de ano novo e lá estava eu … 40 semanas , meu barrigão imenso e nada da bebe querer nascer .
Sentia muitas cólicas chatas, algumas contrações sem ritmo, então voltei para casa com a próxima consulta para o dia 07 de janeiro. Nesta consulta o Dr disse que faria um toque para ver se ja tinha algum sinal de trabalho de parto para ver se estava com dilatação.
Virada de ano e nada da bebe querer chegar, ansiedade a mil e eu só pensava “caramba virou o ano e nada dela chegar, acho que ela quer ser meu presente de aniversário”.
Chegou dia 07 de Janeiro, fui a consulta pela manhã.
Durante toda a semana que havia passado senti muitas dores, tinha contrações que pegavam ritmo e depois simplesmente paravam e sempre ligava para o meu médico e ele para mim para saber como as coisas estavam.
Na consulta após um toque ele disse que eu estava com 2 cm de dilatação e que provavelmente a coisa iria evoluir naquela semana, e como já estava com mais de 41 semanas ele fez um procedimento para ajudar a evoluir a dilatação , ele fez descolamento da membrana, um procedimento muito dolorido mas que ajudava a evoluir o trabalho de parto.
Sai de lá com cólicas mais fortes e com retorno para dois dias caso eu não entrasse em trabalho de parto ativo.

Pois é, AnaLu não queria saber de nascer e no dia 09 de janeiro voltei ao hospital.
Quase 42 semanas e nada.
Contrações que vinham fortes e paravam me enganando toda hora , as vezes vinham com intervalos de até 3 em e minutos e do nada sumiam.
Estava exausta, com muita dor , então meu médico perguntou se queria que fizesse a indução, afinal ja estava quase que no limite de uma gravidez e com dores muito fortes.
Fui internada no mesmo dia na maternidade e comecei a induzir o parto, não era o que tinha planejado e nem o que o Dr sempre pensou para mim e para a bebe ,mas naquela altura era o que deveria ser feito.
Ocitocina na veia para ajudar na dilatação, exercícios na bola, massagens , banho quente e nada de evoluir.
Pela manhã eu já estava exausta, não havia conseguido dormir.
Foi quando dr Renato as 8 e pouco da manhã foi ver como estava, minha dilatação tinha parado em 4 cm desde o ultimo toque na madrugada.
Ele ouviu os batimentos da bebe e estava tudo bem, mas eu estava sentindo muita dor e então com lágrimas nos olhos, afinal ele é um profissional humanizado , ele me disse que achava que naquele momento o melhor para mim era fazer a cesariana, afinal eu já estava a noite toda induzindo o parto e nem assim meu caso evoluiu.
Chateados, concordamos que realmente era o melhor a se fazer e então começamos a nos preparar para a cirurgia.
Enquanto eu esperava irem me buscar, fiquei pensando no por que não consegui e chorei um pouco, mas logo meu marido começou a falar coisas que me fizeram perceber que fizemos o que foi possível, e que , se Dr Renato que só faz cesarianas em casos realmente necessários optou por uma, é por que tinha que ser assim.
Comecei a pensar também que era meu presente de aniversario que estava chegando antecipado, afinal no dia seguinte era meu aniversario , e seguindo o que eu fiz com a minha mãe nascendo dois dias antes do aniversário dela, minha pequena também seria meu presente.

As 10 hrs da manhã estava no centro cirúrgico e foi quando eu me dei conta de como uma equipe humanizada faz toda a diferença.
Enquanto me preparavam, recebia o carinho de todos.
A anestesista me fazia carinhos, dava beijos em minha cabeça para me deixar calma enquanto meu marido se trocava para poder ficar comigo.
Cada um que entrava na sala, que faria parte daquele momento tão importante de nossas vidas , me cumprimentava e fazia um carinho ou falava alguma coisa carinhosa.
Quando Dr Renato entrou na sala para realizar a cesariana, me olhou nos olhos e naquele momento me senti segura.
Alguns instantes depois, nascia as 10:25 do dia 10 de Janeiro minha Ana Luiza.
Foi retirada, não foi virada, chacoalhada,ou coisas do tipo, foi logo colocada em meu colo e ali o cordão foi cortado.
Dra Franceli, nossa neo também humanizada, logo a colocou para sugar meu peito , Ana Luiza quando ameaçou que iria chorar estava perto de mim e quando eu falei com ela logo se acalmou e ficou quietinha . Impressionante como minha voz era a segurança dela, ali vi o que é ser mãe. Chorei.
Analu não foi aspirada, não colocaram colírio em seus olhos tão sensíveis , ela apenas tomou a dose de vitamina K como foi solicitado no plano de parto.
Enquanto me suturavam , Analu estava em meu peito, mas devido a anestesia me senti enjoada e pedi para a Neo tira-la de cima de mim pois achava que iria vomitar.
Nesse período a neo aproveitou para pesar e medir a bebe, e foi nesse momento que meu marido cortou o cordão umbilical, pois deixaram um pedação ainda nela para que o pouquinho do sangue que estava ali fosse para a bebe o que faz uma grande diferença para ela.
Após finalizarem a sutura , Dr Renato me deu um beijo na testa e saiu da sala , e eu fui diretamente para o meu quarto , com minha bebe enroladinha no meio das minhas pernas, sem separação. Uma cesariana, uma cirurgia tão invasiva, mas que foi sim na medida do possível humanizada.

No quarto eram apenas eu, meu marido e nossa filha. Nossa família.
Uma equipe humanizada deixa que você mesmo tendo uma cesariana tenha seu momento com seu bebe, não os leva para o berçário , deixa o bebe onde ele deve estar, com sua mãe.

Logo minha mãe , irmã e sobrinho que vieram de São Paulo para vivenciar esse momento estavam conosco no quarto.
Como estava ainda anestesiada , pedi que minha irmã colocasse uma roupinha na bebe mesmo sujinha, afinal toda aquela sujeirinha no bebe é bom para ele e é tudo aproveitado e sugado pela pele do bebe, e assim Analu só tomou banho no dia seguinte.
No dia seguinte a neo foi avaliar a bebe no quarto , junto comigo e viu que estava tudo bem com ela.
A noite Dr Renato veio ver como eu estava me sentindo, e eu nunca vou esquecer do abraço carinhoso e do olhar dele de ” que pena que não conseguimos” , e em seguida ele dizia ” Fique tranquila querida, eu suturei seu útero duas vezes para garantir que na sua próxima gestação você consiga parir normal sem problemas ,então caso eu não tenha a honra de ser seu médico numa próxima, você já avise ao médico que pode e deve tentar parir sem medo”. Quando ele me disse isso seus olhos estavam marejados e os meus também ficaram, e em meio a um abraço apertado disse que não iria precisar falar para o médico porque o próximo será com ele com toda certeza. 
Mais algumas perguntas rotineiras e então ele precisou ir ver outras pacientes, estava tudo bem comigo e ja estava de alta.
Agradeci por tudo e então ele saiu.
Naquele momento percebi que apesar das coisas não terem saído como estávamos planejando, percebi que fui abençoada demais, pois não conhecia nada e ninguém direito em Recife e tive a felicidade de ter tido o melhor médico e um dos melhores seres humanos que já conheci do meu lado. 
Ele me ensinou a me conhecer melhor como mulher e a respeitar meu corpo e meus limites.
Toda mulher merece uma assistência assim , e principalmente toda mulher grávida ou que pretende ser mãe deve ler e estudar muito sobre o assunto para não ser enganada e muito menos sofrer algum tipo de violência obstétrica.

Com toda certeza do mundo não me arrependo por ter passado por toda dor mesmo terminando em uma cesariana, devidamente conversada e explicada, e sim, faria tudo novamente.
E com toda vontade do mundo, na minha próxima gestação tentarei novamente o parto natural humanizado e sei que com mais empoderamento e conhecimento vou conseguir realizar essa vontade e me realizar como mãe e mulher.

Aline, mãe em tempo integral da Analu.

Se você tem quer compartilhar o seu parto conosco, envie um e-mail para geisa.simonini@gmail.com que vamos adorar!

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Sobre o Autor

Geisa Simonini

Uma escorpiana geniosa, brava e determinada. Estudei Administração e Marketing e sempre atuei na área comercial e de eventos. Tenho uma cabecinha cheia de idéias e adoro trabalhar com pessoas, afinal para mim, tudo que a vazio de pessoas não faz muito sentido. Sou doidinha por redes sociais e ligada 24 horas por dia, sabe aquela pessoa que não pára? Essa sou eu!
Mas se for para me resumir mesmo: Sou a mãe da Fernanda (e da Camille que ainda está no forninho) e da função de mãe nasceu esse blog onde compartilho com vocês nossas histórias, dia-a-dia e aprendizados

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